João Garcia, o alpinista escuteiro, condecorado por S. Exª o Presidente da República no dia 10.06.2010 "DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES"
O alpinista João Garcia foi condecorado com a medalha de comendador da Ordem de Mérito, no DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES, em Faro
Para quem não sabe, João Garcia, o melhor alpinista Português, pertenceu ao CNE - AGR - Olivais (RLsb).
Já foi há uns bons anos mas ele não se esquece. Recentemente no seu livro "A mais alta solidão", lembrou que a sua paixão pelo montanhismo começou nos escuteiros.
João Garcia: 1971
Um dos maiores símbolos da Aventura em Portugal. Trata-se do único Português a escalar o Monte Evereste e assim chegar ao ponto mais alto do Mundo (8850 metros). E fê-lo da forma mais natural, difícil e que só é possível com a técnica, a condição física e a determinação dos maiores alpinistas Mundiais. Ou seja, sem recurso a oxigénio. Mas não o fez sem enormes sacrifícios pessoais. O João Garcia ganhou o cume do Evereste, mas perdeu os dedos e o nariz que lhe foram amputados e também o seu grande amigo e sócio, Pascal Debrouwer que morreu na descida. João Garcia escreveu o livro "A Mais Alta Solidão" (com prefácio de Miguel Sousa Tavares) onde relata em detalhe tudo o que passou para alcançar este sucesso que deve ser um orgulho para todos os Portugueses. João Garcia, como a maioria dos grandes alpinistas, tem muito de "perfil solitário".
Desde sempre dedicou a sua vida ao alpinismo de alta montanha. Começou por volta dos 16 anos, nos escuteiros, com equipamento rudimentar e maioritariamente improvisado. Nessa altura ia praticar para prédios abandonados ou em obras. Ainda com essa idade, montou na bicicleta e foi de Lisboa até à Serra da Estrela para conhecer o Clube de Montanhismo da Guarda, onde chegou ao fim de 4 dias. E foi através desse clube que conheceu Angel Miguel Muñoz, com quem aprendeu as primeiras técnicas mais a sério e que lhe permitiu comprar melhor equipamento e participar nas suas primeiras actividades de alpinismo. Mais tarde viria a fazer muito do seu próprio equipamento. Aos 17 anos subiu o Monte Branco (4807 metros), no meio de um grande número de peripécias. Depois disso foi um nunca mais parar. Ia para França ou Suíça onde trabalhava no campo para depois poder ir escalar com o dinheiro conseguido. Depois foi para a tropa aos 19 anos e fez uma comissão na Bélgica, o que lhe permitiu estar mais perto dos Alpes.
Foi depois disso que se iniciou nos Himalaias, em boa parte motivado pela ascensão do primeiro Português (Gonçalo Velez) que em 1991 escalou um pico superior a 8000 metros (Annapurna - 8091 metros). Então, em 1993, fez o cume do seu primeiro 8000 (há apenas 14 no Mundo), o Cho Oyo (8201 metros). Uma vez mais, com uma série de peripécias pelo meio. A vida que tinha escolhido era difícil de "alimentar" e por isso ia fazendo trabalhos vários que procurava terem algum relacionamento com a escalada ou pelo menos que o ajudassem a manter a forma física. Venceu vários 8000 e fez várias tentativas de vencer o Evereste. Foi numa destas tentativas (1997) que conheceu o Belga Pascal Debrouwer e os Brasileiros Paulo e Helena Coelho que o acompanhariam mais tarde na "Grande Escalada". E foi com o Pascal que criou a "Montagnes du Monde", empresa sediada na Bélgica que lhe daria suporte à sua própria organização de expedições. Em 1999 fez então a bem sucedida mas também dramática escalada ao cume do Evereste. A esta altitude, sem oxigénio, o esforço físico é enorme e as condições psicológicas chegam a um ponto em que já não há certezas. Ao chegar ao cume o João Garcia procurou um tripé de uma expedição anterior e que se tinha habituado a ver em fotografias.
Mais tarde viria a saber que esse tripé já lá não estava. Mas na busca perdeu muito tempo. Desceu, esquecendo-se de fazer fotografias que atestariam pelo cumprimento do objectivo. No regresso encontrou o Pascal, ainda a caminho do cume e que o convenceu a regressar. Tudo isto demorou muitíssimo tempo. Feitas as fotografias, iniciaram ambos a descida. Mas a noite acabou por cair. Perderam-se um do outro e foram obrigados a passar a noite em alta montanha, cada um por si, em condições de sobrevivência. Ao nascer do dia o João reiniciou a descida, acreditando que o seu companheiro estava mais abaixo. Mas lamentavelmente, não. O João consegue chegar ao primeiro ponto de acampamento onde os Brasileiros Paulo e Helena o auxiliam. Mas o Pascal ficou para sempre na mais alta montanha do mundo. A prolongada exposição ao frio, custou a João Garcia, dedos das mãos e dos pés e também uma parte do nariz. Foi tratado no Campo Base do Evereste, depois em Katmandu e por fim, prolongadamente em Saragoça. Actualmente, depois da recuperação física possível e apesar do impacto da perda do amigo, João Garcia continua a sua actividade de alpinista, o que demonstra grande coragem.
Recentemente venceu mais um 8000.


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