Cinco anos de voluntariado ambiental da FNA no projeto “1 Milhão de Carvalhos” Recomeçar na Serra da Estrela ...
Foi uma Serra da Estrela ferida pelo fogo deste verão nas encostas de Verdelhos que nos recebeu no fim-de-semana de 31 de Outubro e 1 de Novembro, na atividade anual de ambiente da Fraternidade. Pelo quinto ano consecutivo juntaram-se esforços e fez-se voluntariado escutista em parceria com a associação cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE), no projeto Um Milhão de Carvalhos para a Serra da Estrela (1MCSE), tendo participado associados de núcleos das regiões de Braga, Lisboa e Setúbal e dos núcleos de Vila Real, Teixoso e Covilhã.
Mas antes que os primeiros posts começassem a invadir o facebook sobre as singulares “paisagens” do desenrolar desta atividade, foi preciso o empenho de alguns fraternos “anónimos” e das direções dos Núcleos da Covilhã e do Teixoso, deixando para trás “tempo e família”, para que esta atividade pudesse atingir a sua realização e sucesso que todos nós vivenciámos.
O sábado em clima outonal, foi dedicado à plantação de 300 árvores na vertente norte da Malhada - pinheiros-silvestre (Pinus sylvestris L.), carvalhos-alvarinho (Quercus robur L.) e medronheiros (Arbutus unedo L.) – às quais se dedicaram cerca de 30 voluntários, entre fraternos e associados da ASE. O terreno ardido e já erodido criou dificuldades em encontrar bolsas de terreno para plantação, mas o tom “castanho” predominou sobre o esbatido “cinza” de desolação e o trabalhou foi concluído a bom ritmo de manhã.
Depois de um almoço partilhado no pavilhão cedido pela Junta de Freguesia, retemperador pela natureza dos aromas e sabores dos petiscos das regiões representadas, subimos o Vale de Beijames numa caminhada bem agradável através da vereda que a ASE está a estruturar e que fará parte dum circuito de percursos pedestres para captar turistas e dinamizar o turismo de montanha naquela região.
Também houve a oportunidade de visitar a plantação de carvalho-alvarinho onde ocorreu a primeira reflorestação no outono de 2010 na encosta de baldios a 950m de altitude (quem se lembra da chuva, do vento e dos trambolhões …). A amostragem deste ano confirmou que a plantação continua em processo de endurecimento e foram identificados alguns exemplares em bom desenvolvimento (foto). No final do dia, o grupo juntou-se na Pousada de Juventude das Penhas da Saúde (alt. 1560m), que serviu de base e pernoita, para o jantar de “montanha” muito bem coordenado e acarinhado pelo Núcleo da Covilhã (pois, o arroz doce …). Como a tradição ainda é o que era fechámos a noite com um momento de partilha à volta da “fogueira” (lareira), reflectindo sobre os momentos desta e de outras atividades onde nem sequer faltou o “comboio”...
No domingo foi a oportunidade de nos reunir com os fraternos do Núcleo do Teixoso e de visitarmos alguns dos locais de maior significado naquela Vila, onde outrora existiam grande número de teixos, conservando-se actualmente um exemplar que visitámos na Quinta de S. João (foto). A comitiva da FNA participou na celebração eucarística na Igreja Matriz dia da solenidade de Todos os Santos, tendo no final seguido em procissão até ao cemitério. Em seguida fomos recebidos num caloroso almoço convívio organizado pelo Núcleo do Teixoso onde veio ao de cima o talento da grelhada pelas fraternas “master-chef”.
Este também foi o pretexto para partilharmos à volta da mesa os momentos mais intensos vividos neste fim-de-semana e de reconhecer o trabalho de plantação do grupo de voluntários com o distintivo da atividade, assim como a parceria protocolada com a associação cultural Amigos da Serra da Estrela (ASE) com quem temos estreitado laços de fraternidade ao longo destes cinco anos de voluntariado.
Também foi a oportunidade de deixar palavras de agradecimento à empresa Águas da Covilhã (AdC), à Junta de Freguesia de Verdelhos, à Pousada de Juventude das Penhas da Saúde (PJPS) e ao Campo Nacional de Atividades Escutistas do CNE (CNAE), entidades que foram determinantes para facilitar a logística e a operacionalidade materiais desta atividade nacional de ambiente. E, na hora da despedida, a roda da Canção do Adeus fez das suas e deixou alguns de nós com um brilhozinho nos olhos … de saudade para voltar no próximo ano.
Contas e justiça feitas, o projeto 1MCSE percorreu já dez anos de muitas e importantes iniciativas para a Serra da Estrela, desde que a ASE alertou a sociedade em 2005 (o facebook estava no início) como resposta ao flagelo do incêndio do Vale Glaciar de Manteigas como atesta a notícia da altura
https://sites.google.com/site/ummilhaodecarvalhos/. O que aconteceu nos últimos cinco anos, foi a partilha com a ASE de um modelo de voluntariado que nos define como escuteiros adultos, entrelaçando a Fraternidade de nós todos a esta causa Enorme, como enorme e problemática é (!!) a reflorestação de um património secular de montanha na Serra da Estrela, donde vem o que abastece parte da população de Portugal - a água que bebemos!
A destruição da floresta pelo fogo parece ser uma fatalidade cíclica apesar dos meios organizados para a proteger. Esta atividade voltou-nos a tocar como escuteiros e como cidadãos, tal como aconteceu ao grupo de voluntários que ao longo destes cinco anos tem vindo a percorrer as encostas de Verdelhos e das Candeeirinhas e a deixar nesses locais plantadas milhares de árvores autóctones das quais algumas resistiram e estão a crescer.
Embora tenham passado poucos meses deste incêndio na área ardida da encosta da Malhada, já podemos testemunhar as provas, que a Natureza teima em regenerar e que os homens demoram a reflorestar. É caso para perguntar: - Tantas bolotas depois, tantas árvores depois, tantas horas e quilómetros depois, cinco anos não serviram para nada ? O que nós Fraternidade podemos fazer? Serviram, porventura, mas não chegaram. O que nos resta fazer?
RECOMEÇAR DE NOVO… NA SERRA DA ESTRELA !

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