domingo, 30 de outubro de 2011

"JORNADAS 2011", Homilia de D. António Francisco dos Santos


 


HOMILIA NA EUCARISTIA DA


 FRATERNIDADE DE NUNO ÁLVARES


Seminário de Santa Joana, 22 de Outubro de 2011


 


1. Reunimo-nos em dia de Jornadas Nacionais da Fraternidade Nun’Álvares em dia de vigília de Domingo. O domingo deve ser vivido como dia particularmente dedicado ao Senhor. Foi no dia primeiro da semana que Jesus ressuscitou e que o Pentecostes aconteceu.


 


Viestes de todo o País para celebrardes aqui no coração da Diocese de Aveiro que é o Seminário e no centro mesmo desta cidade as Jornadas Nacionais da Fraternidade Nun’Álvares, dizendo-nos como é vosso lema que estais. Alerta Para Servir. Trazeis, convosco e em vós, longas e belas experiências vividas no Escutismo Católico Português, (o CNE), e agora colocadas já, na idade adulta que é a vossa, ao serviço das mesmas causas e fazendo permanecer os mesmos princípios e valores.


 


Sede bem vindos.


 


2. Celebra a Igreja nesta semana que amanhã culmina o Dia Mundial das Missões. O Santo Padre Bento XVI dirige-nos uma bela e oportuna mensagem, desenvolvida a partir da palavra de Jesus: «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós» (Jo 20,21).


Lembra-nos o Santo Padre e sabemo-lo todos que o «anúncio incessante do evangelho vivifica também a Igreja, o seu fervor e o seu espírito apostólico, renova os seus métodos pastorais para que sejam cada vez mais apropriados às novas situações: A missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização dos povos cristãos também encontrará inspiração e apoio no empenho pela missão universal».


A tarefa de evangelizar não perdeu a sua urgência. Evangelizar é a graça e a missão da própria Igreja. E esta missão empenha todos, tudo e sempre. O evangelho não é um bem exclusivo de quem o recebeu, mas constitui uma dádiva a compartilhar, uma boa notícia a comunicar.


Que o «Dia Mundial das Missões, conclui o Santo Padre na sua mensagem, reavive em cada um de nós o desejo e a alegria de «ir» ao encontro da humanidade levando Cristo a todos».


 


3. Foi assim, irmãos e irmãs, que aconteceu no Pentecostes, o primeiro dia missionário, em que Pedro fortalecido pelos dons do Espírito Santo e como porta voz de todos os discípulos reunidos com Maria, Mãe de Jesus, no Cenáculo, sai para a cidade e vai ao encontro da humanidade ali presente anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado.


É assim que acontece hoje, quando convocados pelo Senhor e reunidos em nome de Cristo sentimos o apelo à evangelização e saboreamos a força de o fazer. «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós» ( Jo 20, 21). Esta nossa Assembleia deve ter este horizonte e beber da fonte inspiradora deste dinamismo missionário, consolidando os grupos que somos e abrindo mais caminhos de missão.


 


4. Vem ao encontro desta urgência e desta pedagogia duma nova evangelização a própria Palavra de Deus que hoje escutamos. S. Paulo escreve à comunidade de Tessalónica. Esta comunidade aprendeu a percorrer com Cristo e com Paulo o caminho do amor e o dom da vida. Apesar das hostilidades e das perseguições. O exemplo de Paulo cumprido na alegria e na dor tornou-se verdadeira semente de fé e de amor, que deu frutos noutras comunidades cristãs do seu tempo (cf 1 Tes 1, 5-10).


Também o nosso testemunho cristão, vivido com alegria e generosidade, pode e deve ser semente de evangelização levando em tudo, a todos e sempre a boa nova de Jesus Cristo.


Esta boa nova de Jesus está caldeada e impregnada dos seus ensinamentos e está expressa nesta bela síntese do evangelho de hoje. «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito. É este o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos se resumem a Lei e os Profetas» ( Mat 22, 37-40).


À luz desta mensagem de Jesus compreendemos ainda melhor o texto da primeira leitura em que a palavra do Senhor nos interroga e interpela sobre o nosso modo de cuidar com amor igual dos mais frágeis, dos mais pobres e dos mais humildes. (Ex 22, 20-26).


No tempo do Êxodo e no tempo de Jesus vivia-se numa sociedade de desiguais, em que muitas vezes a discriminação se institucionalizava e em que o padrão da vida era o individualismo. A fé em Deus e o amor para com o próximo expressos na resposta dada por Jesus, na advertência do autor do livro do êxodo e no testemunho exemplar de Paulo e da comunidade de Tessalónica abrem-nos a esta tríplice dimensão: para com Deus, para com os outros e para connosco próprios. Do amor primeiro para com Deus nasce este amor inquieto para com os irmãos que nos leva a fazer do anúncio do evangelho uma missão e do amor aos irmãos uma urgência e um serviço. É um amor de doação de todos, em tudo e sempre, que faz de cada gesto um reforço do crescimento pessoal e uma expressão de solidariedade fraterna.


Este amor impresso na resposta de Jesus é a força da missão, que neste domingo e nestas Jornadas se deve viver e celebrar com especial atenção e solicitude.


 


5. Faço votos e rezo ao Senhor nosso Deus para que as Jornadas aqui realizadas, a reflexão aqui feita e os propósitos e compromissos aqui assumidos consolidem a Fraternidade nos objectivos que se propõe e façam de cada um dos seus membros cristãos empenhados na missão e mensageiros felizes e corajosos da boa nova de Jesus a todos, e tudo e sempre como nos pede e propõe o Santo Padre. Que também aqui na vanguarda do testemunho cristão e do anúncio do evangelho saibais estar «alerta para servir».


 


Que Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, presente no Cenáculo na manhã do Pentecostes nos ilumine e abençoe neste caminho de missão e nos fortaleça na perseverança e na alegria e que S. Nuno de Santa Maria, Nun’Álvares Pereira, vosso patrono e modelo a todos abençoe com a sua protecção.


+António Francisco dos Santos


Bispo de Aveiro

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